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Quarta-feira, 13 de Julho de 2005
"Pessoas que machucam sem bater"

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É fácil deixar uma pessoa emocionalmente em frangalhos.
É só mirar no peito e atirar com palavras.
Um dos maiores dramas femininos é a violência dentro de casa.
Milhares de mulheres apanham do marido e do namorado.
Não importa se são pobres ou ricas, analfabetas ou cultas:
apanham uma, duas, três vezes e, em vez de fazerem a malinha e darem um novo rumo às suas vidas,
mantêm-se onde estão, roxas e orgulhosas.
A maioria suporta a situação porque não tem como se sustentar,
não tem para onde levar os filhos, elas estão nesse mundo sem pai nem mãe.
Mas há outro motivo curioso: muitas mulheres encaram a surra como um contato íntimo.
Na falta de um beijo, aceita-se um tapa.
Dói, mas ninguém pode dizer que não existe uma relação a dois.
É uma maneira masoquista de se fazer notar, de não se sentir ignorada pelo companheiro. Apanho, logo existo.
Que é medieval, nem se discute.
Mas a humanidade convive há séculos com essas armadilhas,
com essas cenas em que cada um interpreta como lhe convém.
Podemos nos apiedar de quem sofre maus tratos em nome desse amor fora dos padrões,
mas a verdade é que apanhamos todas, todos.
Diga aí quem nunca machucou, quem nunca foi machucado, mesmo sem trazer marcas visíveis.
Algumas pessoas são experts em não deixar cicatrizar velhas feridas, em fazer dor no ponto frágil.
 Insinuações doem, acusações injustas doem, desapego dói, indiferença, então...
É justamente dentro das relações mais íntimas que se obtêm as melhores armas.
A vulnerabilidade é terreno fértil para surras psicológicas.
Sabemos como reage nosso cônjuge, o que costuma ferir nosso irmão, onde nossos amigos fraquejam.
Basta uma frase, uma ironia, e o abatemos.
Deixar uma pessoa emocionalmente em frangalhos não é passível de condenação.
Não é crime, não deixa marcas de sangue no tapete.
Mira-se no peito, atira-se com palavras, e os estilhaços caem para dentro.
A violência física não tem essa premeditação.
Ela caracteriza-se pela falta absoluta de controle.
No momento em que se agride alguém com socos e pontapés, atravessa-se a fronteira do racional:
vigora a degradação, a selvageria, o fim da civilidade.
Por isso, preferimos a agressão verbal, que, apesar de também machucar, ao menos mantém a ordem.
O ideal, no entanto, seria escaparmos ilesos de qualquer brutalidade
e convivermos apenas com abraços, sorrisos e palavras gentis,
coisa que acontece apenas entre quem mal se conhece.
A ternura full time só é comum entre pessoas cujas vidas não se misturam,
não trazem conseqüências uma para a outra.
Já a intimidade permite que a mágoa brote, transformando rancor em munição.
Mike Tyson ao menos ganhava bem para bater e levar.
Fora do ringue, todo mundo perde.


Martha Medeiros 

 

"Não acreditem em tudo que escrevo, apenas em voce e seu coração"

*Celina*


publicado por Carlos Afonso às 03:58
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18 comentários:
De Anónimo a 14 de Julho de 2005 às 23:58
A vida é um palco gigante...e às vezes as cenas são variadas...não desanimes amigo...e ás vezes as palavras são bem duras....doiem mais que uma bofetada, mas na vida temos de estar prepadaos para tudo...
um beijo
pensadorapensadora
(http://pensadora2.blogs.sapo.pt/)
(mailto:pcap37@hotmail.com)


De Anónimo a 14 de Julho de 2005 às 22:26
Já tinha escrito algo no meu blog sobre a violencia domestika. Tu agora fizeste-me lembrar das pancadas sem mão, sem contacto fisico e deixa ke te diga :- estou de acordo. Todos nós apanhamos, levamos sovas, e todos nós de certa forma aprendemos sobretudo a fingir ke está tudo bem. Eu confesso que me é extremamente di´fícil falar de mim a alguém, mesmo quando tenho essa necessidade. Guardo talvez por medo, talvez por não confiar, talvez... talvez. Que desgraça. Bom, fico por aqui. Um grande abraço.zeca
(http://ailhadez.blogs.sapo.pt)
(mailto:zzeca855@hotmail.com)


De Anónimo a 14 de Julho de 2005 às 13:35
Há Palavras que nos magoam mesmo sem que as possamos ouvir, mas também há palavras que nos beijam como se tivessem boca. Valha-nos isso. BeijinhosFilipa
(http://vidamarela.blogs.sapo.pt)
(mailto:filipa.patricio@iol.pt)


De Anónimo a 14 de Julho de 2005 às 05:05
Olá...
Muito obrigado pelas tuas palavras, é sempre bom ouvir algo assim. Serás sempre bem-vinda na Sombra.

Beijinhos e boa noite!M.P.
(http://eueaminhasombra.blogspot.com)
(mailto:miguel.pedro@gmail.com)


De Anónimo a 14 de Julho de 2005 às 04:37
Boa noite
Parabens pelo seu espaço...gostei e vou voltar.
:)
Até breveisabel
(http://gostodetiporquegosto.blogs.sapo.pt)
(mailto:isabellucio@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Julho de 2005 às 21:22
Obrigado pela sua vista!M.P.
(http://eueaminhasombra.blogspot.com)
(mailto:miguel.pedro@gmail.com)


De Anónimo a 13 de Julho de 2005 às 19:20
Olá Carlos também condeno qualquer acto de agressão,as mulheres são as maiores vítimas sim, porque durante anos tinham que se sujeitar silenciadas aos maus tratos ,porque não eram independentes.Hoje em dia só é maltratada quem consentir.Não esquecer que também existe o inverso.Uma ou outra são repugnantes.É baixeza e cobardia.Nada como o diálogo,mas há um aspecto importante analisar ,porque existe violência?Muitas das vezes também a mulher não terá culpas no cartório???.... Cada qual opine conforme entender melhor e tire as suas conclusões.Abraçoaurora
(http://amareiavida.blogs.sapo.pt)
(mailto:ansboa@mail.com)


De Anónimo a 13 de Julho de 2005 às 18:30
Ohóóóó Carlos que belo "amigo da onça", vc esta me saindo hein??
E vc ainda me entrega na net?
Abafa o caso amigo!!

Beijos
*Celina*
*Celina*
</a>
(mailto:celinazabotto@terra.com.br)


De Anónimo a 13 de Julho de 2005 às 15:20
Como mulher penso que nunca irei acitar esse tipo de agressões até porque eu sou eu e mais ninguém. Obrigada por teres respondido. Bjinholua_sol
(http://coysitasii.blogs.sapo.pt)
(mailto:lua_sol1@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Julho de 2005 às 13:32
Num passado muiiiiiito distante, sabes, Celina, daqueles passados que queremos colocar bem lá no fundinho do baú, (isto porque por muito que tentemos, é inevitável e não conseguimos apagar essas lembranças) eu também soube o que era a violência no seio de um matrimónio acabado... Gostei do teu post, se bem que me fez recordar "merdas" que quero esquecer. Mas gostei, beijos ;-) Perfect Woman
(http://perfectwoman.blogs.sapo.pt/)
(mailto:perfect_woman63@sapo.pt)


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