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Segunda-feira, 20 de Junho de 2005
Senhor Tempo...
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                     Senhor Tempo:

 

        Espero que esta lhe encontre passando bem, ou melhor, passando o mais devagar possível.

        Por aqui vai-se indo, como o Senhor quer e consente.

        Meio rápido demais para o meu gosto e,

       quando menos se espera, novamente Dezembro.

       Vai-se mais um ano.

       E com ele, uma quantidade incalculável de amores, cores, idades,

alguns amigos, não sei quantos neurônios,

      memórias, remorsos, desvarios, cabelos, ilusões, alegrias, tristezas, várias certezas
        (se não me engano, treze).


      Foi-se a poupança. O troquinho da gaveta. 

      Foi-se aquele antigo projeto.

Foram-se exatamente nove vírgula seis por cento de todas as minhas esperanças.

     Será que o Senhor não se cansa, seu Tempo?

     Não pensa em tirar umas férias, dar uma pausa, respirar um pouco?

     Não lhe agrada a idéia de mudar o andamento? Diminuir o ritmo?
        Em vez de tique-taque, inventar uma palavra mais comprida para compasso,

mantra, ícone, diagrama?

     Me diz sinceramente: para que tanta pressa?

    Anda difícil acompanhar seus passos ultimamente.

    Não precisa dar meia-volta, eu não espero tanto. Eternidade? Não.

        Só queria sua amizade. Mas já é quase Dezembro.

   Vai-se mais um ano.       


   E o senhor passou voando, rebocou os meus momentos,

foi desbotando minhas lembranças,

   carregou mais dez meses inteiros levando cada instante meu de carona.

   Tentei voltar atrás em algumas decisões. Já era tarde.
        Não deixei nada para amanhã. Mesmo assim, não fiz sequer metade do que pretendia.

   Imaginei várias maneiras de estancar os dias,

   segunda, terça, quarta, quando via já era quinta. Sexta. Sábado. Domingo.

 Pronto. Pensei em fuga.

   Será que existe algum lugar deste mundo onde as horas não me encontrem?

  Fiquei meses trancado em casa.
        Foi inútil. Lá fora, o Senhor continua passando.
        E já passou mais um pouquinho.

        Calma, Tempo! Espera só um minutinho para eu


  explicar melhor meu ponto de vista.

 Nem todo mundo é pedra, concorda?

Dito isso, imagine quantos pobres mortais sofrem da mesma agonia diária:

 giros e mais giros nos ponteiros, os cantos dos cucos, as denúncias das sombras,

 os grãos de areia escorrendo (parece até hemorragia crônica), tudo escapulindo,

 descendo, subindo, o frenesi dos dígitos, um, dois, três, quatro, cinco, cem.

 O Senhor vai tirar o pai da forca? Está fugindo de alguém?

De quem? De mim? De ontem?

Eu conheço de cor suas obrigações.

Estou convencido de suas utilidades.

Não fosse o Senhor, não existiria saudade,

retrato, souvenir, Antigüidade, história, época, período,

 calendário, outrora, passatempo,

novidade, creme anti-rugas, disputa por pênaltis, antepassado,

descendente, dia, noite, nada,

não existiria sabedoria, eu sei disso.


Não tome como queixas minhas palavras, por favor não tome.

Aqui vai apenas uma súplica.

Ah, se o Senhor fosse mais indulgente, mais piedoso,

mais pensativo, menos estressado, mais manso, menos rigoroso,

um bon vivant, e se distraísse aí pelo caminho,

e se deixasse apreciar as paisagens, e sofresse um devaneio,

e ficasse de bobeira, esquecido
        das horas, divagando...

 

*Quem souber a autoria por favor me diga, mas não tem pressa, não.

Ah...Enquanto é tempo queria te dar um abraço muito apertado e muitos beijos...

Pois pra isso toda hora é hora, né...

 

"Não acreditem em tudo que escrevo, apenas em voce e seu coração"

*Celina*


publicado por CACAfonso às 03:34
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De Anónimo a 22 de Dezembro de 2005 às 03:40
Pelo que sei, a poesia é de autoria de
Adriana Falcão, no livro "O Doido da Garrafa"Arlene
</a>
(mailto:arlenebritto@yahoo.com.br)


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